A Secretaria de Estado da Saúde está envolvida na luta contra a Aids em Santa Catarina. O SUS promove políticas e estratégias diferenciadas para atender a todos – tanto para evitar a infecção pelo HIV, quanto no cuidado das pessoas que vivem com HIV/Aids. Nessa batalha, cada um precisa fazer a sua parte: utilizar preservativo em todas as relações sexuais, recorrer a outras formas de prevenção (PEP), realizar o teste para HIV e aderir ao tratamento. Cuide-se e conte com o SUS para conquistar uma melhor qualisdade de vida, com ou sem HIV/Aids.

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da Aids, o vírus ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. Alterando o DNA dessa célula, o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.

Ter o HIV não é a mesma coisa que ter a Aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, mas podem transmitir o vírus a outros por meio de relações sexuais desprotegidas, do compartilhamento seringas contaminadas ou de transmissão vertical (de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação).

A epidemia de Aids em Santa Catarina está concentrada em 12 das maiores cidades do estado: Florianópolis, Brusque, Itajaí, Lages, Palhoça, Balneário Camboriú, São José, Joinville, Criciúma, Chapecó, Blumenau e Jaraguá do Sul. Esses municípios possuem taxas de detecção de Aids e de mortalidade por Aids maiores ou muito próximas das taxas do Brasil.

Dessa forma, do ponto de vista epidemiológico, atuar nesses municípios prioritariamente traz um alto impacto para a redução da doença no estado de Santa Catarina. Por isso, eles participam de uma Cooperação Interfederativa, desde 2015, que propõe a melhoria dos indicadores de saúde relacionados à HIV/AIDS, com o apoio técnico e financeiro do estado e do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde para realizarem ações de combate de HIV, Aids, IST e hepatites virais. Os focos do trabalho são: reduzir a mortalidade por Aids; diminuir o número de coinfecções por tuberculose e hepatites virais; estimular ações de prevenção para as populações vulneráveis; aumentar a capacidade e eficiência dos serviços de saúde; expandir as oportunidades de acesso ao diagnóstico rápido; e aprimorar a gestão.

O HIV, vírus causador da Aids, está presente no sangue, no sêmen, na secreção vaginal e no leite materno. A doença pode ser transmitida de várias formas, tais como:

  • sexo sem camisinha – vaginal, anal ou oral;
  • da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação – também chamada de transmissão vertical;
  • uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa;
  • transfusão de sangue contaminado com o HIV;
  • instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.
  • A taxa de transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez, sem qualquer tratamento, pode ser de 20%. Mas, em situações em que a grávida segue todas as recomendações médicas, a possibilidade de infecção do bebê reduz para níveis menores que 1%. As recomendações médicas são: o uso de remédios antirretrovirais combinados na grávida e no recém-nascido, o parto cesáreo e a não amamentação.

    O uso de medicamentos durante a gravidez é indicado para quem já está fazendo o tratamento e para a grávida que tem HIV, não apresenta sintomas e não está tomando remédios para Aids. Nesse caso, o uso dos remédios antiaids pode ser suspenso ao final da gestação. Essa avaliação dependerá dos exames de laboratório (CD4 a Carga Viral) e do estado clínico, ela deverá ser realizada, de preferência, nas primeiras duas semanas pós-parto, em um serviço especializado (SAE).

    A camisinha, tanto a masculina como a feminina, é o método mais eficaz para se prevenir de muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, alguns tipos de hepatites e a sífilis, por exemplo. Além disso, evita uma gravidez não planejada. Por isso, use camisinha sempre. A camisinha é disponibilizada gratuitamente pelo SUS.

    São considerados comportamentos de risco: ter relação sexual (homo ou heterossexual) com pessoa infectada sem o uso de preservativos; compartilhar seringas e agulhas – principalmente no uso de drogas injetáveis; reutilizar objetos perfurocortantes com a presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV.

    Os testes rápidos são ensaios imunoenzimáticos simples que podem ser realizados em até 30 minutos. Essa metodologia é utilizada no mundo inteiro e traz vantagens significativas quanto ao método laboratorial, pois é de simples realização, dispensando a atuação de profissionais especializados e de equipamentos de laboratório, permitindo o conhecimento dos resultados e a assistência imediata aos pacientes.

    Em Santa Catarina, os testes rápidos estão disponíveis cada vez mais nos serviços de saúde.

    Novas estratégias de prevenção surgem como ferramentas complementares no enfrentamento da epidemia de HIV e ampliam a gama de opções que os indivíduos terão para se prevenir contra o vírus, oferecendo mais alternativas – cientificamente eficazes – que se somam à forma tradicional de prevenção: o uso do preservativo em todas as relações sexuais, são elas: a profilaxia pós-exposição (PEP), a profilaxia pré-exposição (PrEP), além da atenção aos comportamentos de risco e das ações de redução de danos. Tomar conhecimento das formas de transmissão, dos meios de detecção, dos direitos dos portadores de HIV – incluindo das gestantes portadoras de HIV – e das formas de tratamento constituem meios tanto para a prevenção quanto para manter a qualidade de vida dos pacientes.

    A seguir, esses assuntos são desenvolvidos de modo mais aprofundado.

    Formas de transmissão

    O HIV, vírus causador da Aids, está presente no sangue, no sêmen, na secreção vaginal e no leite materno. A doença pode ser transmitida de várias formas, tais como:

  • sexo sem camisinha – vaginal, anal ou oral;
  • da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação – também chamada de transmissão vertical;
  • uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa;
  • transfusão de sangue contaminado com o HIV;
  • instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.
  • A PEP é a utilização da medicação antirretroviral após qualquer situação em que exista o risco de contato com o vírus HIV. A medicação age impedindo que o vírus se estabeleça no organismo – por isso a importância de iniciar essa profilaxia o mais rápido possível após o contato: em até 72 horas. O tratamento é ainda mais eficaz se iniciado nas 2 primeiras horas após a exposição, e ele deve ser seguido por 28 dias.

    A PrEP é a utilização do medicamento antirretroviral por aqueles indivíduos que não estão infectados pelo HIV, mas se encontram em situação de elevado risco de infecção. Com o medicamento já circulando no sangue no momento do contato com o vírus, o HIV não consegue se estabelecer no organismo.

    Como o HIV e alguns vírus causadores de hepatite estão presentes no sangue, há o risco de infecção cada vez que se compartilham seringas, agulhas, alicates ou qualquer outro produto que corte ou fure. Por isso, recomenda-se não compartilhar os equipamentos para o uso de drogas (seringas, cachimbos, piteiras etc). Políticas de saúde incluem a distribuição desses materiais descartáveis. As Organizações da Sociedade Civil são muito importantes na execução dessas ações.

    O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito em laboratórios, a partir da realização de testes sorológicos e moleculares, ou durante o período de visita do indivíduo (consulta médica, atendimento em Centro de Testagem e Aconselhamento, atendimento em domicílio, atendimento em Unidade de Testagem Móvel, organização não governamental etc.), por meio de testes rápidos.

    A testagem para HIV é recomendada no 1º trimestre e deverá ser repetida no 3º trimestre. Mas, quando a gestante não teve acesso ao pré-natal adequado, o diagnóstico pode ocorrer no 3º trimestre ou até na hora do parto. As gestantes que souberem da infecção durante o pré-natal têm indicação de tratamento com os medicamentos para prevenir a transmissão para o feto. Recebem, também, o acompanhamento necessário durante a gestação, o parto e a amamentação. A mãe que tem o vírus não deve amamentar o bebê, porque há risco de transmissão do vírus da mãe para o filho.

    O uso de medicamentos antirretrovirais faz com que as pessoas que vivem com HIV/AIDS alcancem a chamada “carga viral indetectável”. As evidências científicas também mostram que pessoas vivendo com HIV/AIDS que possuem carga viral indetectável, além de ganharem uma melhora significativa na qualidade de vida, têm uma chance muito menor de transmitir o vírus a outra pessoa.

    Desde 2013, estão disponíveis medicamentos antirretrovirais de forma gratuita a todas as pessoas vivendo com HIV/AIDS – independentemente do nível do CD4. A recomendação é que o diagnóstico e acompanhamento do paciente sejam realizados na Atenção Básica e a instituição do tratamento seja realizada nos centros especializados com um médico infectologista.

    A adesão ao tratamento é uma das principais formas de reduzir a mortalidade por Aids! Aderir ao tratamento para a Aids significa tomar os remédios prescritos pelo médico nos horários corretos, manter uma boa alimentação, praticar exercícios físicos, comparecer ao serviço de saúde nos dias previstos, entre outros cuidados. Quando o paciente não segue todas as recomendações médicas, o HIV, vírus causador da doença, pode ficar resistente aos medicamentos antirretrovirais. E isso diminui as alternativas de tratamento.

    Além de ser um direito garantido por lei, as mulheres soropositivas podem ter uma gravidez tranquila, segura e com muito baixo risco de que seu bebê nasça infectado pelo HIV, caso façam o correto acompanhamento médico e sigam todas as recomendações e medidas preventivas explicadas acima. A taxa de detecção em gestante vem aumentando nos últimos anos, dado que esse é um grupo prioritário e, durante o pré-natal e parto, existem muitas oportunidades de diagnóstico.

    Os testes sorológicos baseiam-se na detecção de anticorpos e/ou antígenos do HIV presentes ou não na amostra do paciente, os testes utilizados no diagnóstico da infecção pelo HIV são o Elisa, a imunofluorescência indireta, o western blot, o imunoblot e o imunoblot rápido. Há ainda testes moleculares que se baseiam na detecção e/ou quantificação do material genético do HIV, eles são especialmente úteis para o diagnóstico em crianças com idade inferior a 18 meses e na infecção aguda em adultos. Esses testes são realizados em pacientes para a confirmação do teste rápido positivo e o acompanhamento do tratamento.

    Por ano, em torno de 500 pessoas morrem de Aids em Santa Catarina. O diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento e uma rede de assistência capaz de acompanhar de perto o indivíduo com Aids são as principais ações para que esse agravo não seja causa de morte dos catarinenses. A qualidade de vida deve ser o objetivo dos pacientes e dos serviços de saúde.

    Em 2014, a UNAIDS/OMS lançou uma meta mundial que visa contribuir para o fim da Aids como epidemia até o ano de 2030. Essa meta consiste em diagnosticar 90% das pessoas portadoras de HIV, tratar com antirretrovirais 90% das pessoas diagnosticadas e conseguir supressão viral, ou seja, carga viral indetectável, em 90% das pessoas em tratamento.

    Organizações de Sociedade Civil (OSC) são grupos, redes, fóruns, ONGs e movimentos sociais que atuam em diversas áreas e são parceiras históricas inclusive no combate às epidemias de Aids, hepatites virais e outras doenças sexualmente transmissíveis. Essas organizações representam a sociedade nos processos de análise e discussão das políticas públicas no país e são importantes pois contribuem para o exercício da cidadania e para o controle social. O Programa IST, Aids e Hepatites Virais frequentemente disponibiliza apoio financeiro para essas instituições através de editais e outras formas de apoio.

    Em Santa Catarina, são 10 OSC atuantes.

    Pela Constituição Brasileira, os portadores de HIV, assim como todo e qualquer cidadão brasileiro, têm obrigações e direitos garantidos. Entre eles: dignidade humana e acesso à saúde pública e, por isso, estão amparados pela lei. O Brasil possui legislação específica dos grupos mais vulneráveis ao preconceito e à discriminação, como homossexuais, mulheres, negros, crianças, idosos, portadores de doenças crônicas infecciosas e de deficiência. http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/direitos-das-pvha

    Sorofobia é o neologismo que tem sido utilizado para se referir ao preconceito com quem apresenta sorologia positiva para o HIV. O Governo Federal publicou a Lei Nº 12.984, de 2 de junho de 2014, que criminaliza condutas discriminatórias contra portador de HIV e doente de Aids em razão de sua condição de portador ou de doente. Clique aqui e saiba mais. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12984.htm.